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A região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, localizada no litoral norte do Paraná, é reconhecida nacionalmente pela riqueza da biodiversidade que a caracteriza, contendo o maior fragmento contínuo dos remanescentes da Floresta Atlântica. Nem tanto reconhecida, mas igualmente surpreendente, é a riqueza e a singularidade de sua diversidade cultural ainda muito marcada pelo imaginário regulador das relações entre o homem e o mundo natural.

 

Essa rica composição mostra-se de grande potencial para o ecoturismo, em especial o de base comunitária, pois reúne população em processo ativo de articulação e organização social, ambiente natural extraordinário, patrimônio cultural fortemente influenciado pelas relações com a natureza, relativa estabilidade populacional e densidade demográfica que viabilizam a convivência saudável entre sociedades humanas e naturais.

 

Em resumo, a APA de Guaraqueçaba oferece atrativos aos visitantes que vão muito além das suas vastas belezas naturais. Mais do que um harmônico conjunto de flora e fauna, é uma terra onde a cultura (modo de vida das comunidades caiçaras e suas características peculiares), o lazer (sossego das praias, caminhadas por trilhas, rafting, entre outros) e a gastronomia, somadas à paisagem deslumbrante, transformam a região em um roteiro peculiar e inesquecível.

 

 

1. Cultura

 

A base da cultura social existente na região da APA está vinculada às características das comunidades consideradas como tradicionais que se destacam pela forte ligação com a natureza, a história com o território que ocupa e a vinculação entre os membros por particularidades culturais próprias.

 

A região da APA acolhe uma população que, em parte, mantêm remanescentes de traços culturais originados de uma miscigenação entre índios, colonizadores ibéricos e negros africanos, as comunidades caiçaras. Dentre as principais características do homem caiçara, destacam-se a associação entre a pesca e a agricultura, as relações sociais baseadas no senso de confiança e a reciprocidade da vida cotidiana.

 

A proximidade com o centro urbano de Paranaguá e a crescente visitação da região por turistas nas últimas décadas, fez com que alguns costumes externos fossem inseridos na cultura caiçara que mesmo sob essa influência, mantém viva os costumes tradicionais nas comunidades da região, atraindo fluxos de turistas do Brasil e do mundo que buscam na diversidade cultural e natural sua motivação em viajar.

 

E neste cenário repleto de história e cultura, destacam-se elementos fundamentais que compõem essa diversidade de saberes: o Fandango, a pesca artesanal, a gastronomia típica, o artesanato e as farinheiras.

 

 

           1.1 Fandango

           Dança típica do litoral paranaense, o fandango faz parte do folclore do Estado e é apresentado para comemorar mutirões de plantio, aniversários, casamentos e outras confraternizações. É interessante perceber que a dança adquire características particulares em comunidades diferentes, o que torna o fandango uma experiência nova a cada apresentação. Mesmo assim, dois grupos são sempre observados: o bailado (ou valsadas), dançado todo o tempo com o mesmo par, e o batido, que exige a mudança de par e o uso de tamancos para bater forte no assoalho. Tudo isso movido ao som dos violeiros, que junto com outros instrumentos típicos, como a rabeca e o adufe, garantem a animação dos dançarinos e do público.

 

           1.2 Pesca artesanal

          Mais que uma atividade de subsistência e principal fonte de proteínas na alimentação da população caiçara, a pesca artesanal é o retrato fiel da identidade e cultura local. Há gerações, estas pessoas tiravam do mar o seu alimento e o seu sustento de forma sustentável. Porém, o avanço da tecnologia, de fibras sintéticas como o nylon e a evolução das embarcações que praticam a pesca de arrasto representaram o declínio na produção de pescado no litoral do Paraná. Dessa forma, a cultura da pesca tradicional sobrevive com certa dificuldade, sendo sempre realizada no período certo de reprodução de espécies como a pescadinha membeca, a pescada amarela, o parati, o bagre, o pampo, a cavala e a tainha. A atividade pode ser vivenciada pelos visitantes em roteiros oferecidos pela cooperativa, com o privilégio de poder degustar o peixe fresco, preparado logo após o retorno do passeio pelos restaurantes cooperados.

 

            1.3 Gastronomia típica a base de frutos do mar

Além da variedade de sons, formas e cores da natureza, as localidades de Guaraqueçaba e seu entorno são também um convite aos sabores e aromas da boa mesa. Aqui se encontram deliciosos pratos, com temperos combinados a ingredientes produzidos no próprio local onde serão degustados. No cardápio dos estabelecimentos do litoral estão incluídos peixe fresco, ostra, tainha recheada assada, bolinho de camarão e camarão ao molho. Já no continente, integram a lista de produtos orgânicos como farinha de mandioca e seus derivados (biju, tapioca, rosquinha de polvilho), geléia de banana orgânica, mel de abelhas nativas, própolis, pães, bolos, biscoitos e leite ordenhado direto da vaca. É o gostinho da comida caseira saboreado em um ambiente que faz toda a diferença.

 

            1.4 Artesanato

Os artesãos cooperados produzem obras de arte com matéria-prima natural (fibras, cascas, sementes e madeira), aproveitando estes insumos disponíveis na floresta sem causar impactos negativos. Entre as peças podem ser citadas esculturas em madeira, fibras naturais trançadas, móveis, objetos de decoração, réplicas de instrumentos de fandango, camisetas com temas locais em patchwork, esculturas em pedra sabão e trabalhos em bambu.

                                            

            1.5 Farinheiras

Base da alimentação da região de Guaraqueçaba e Antonina, a mandioca é comumente plantada nos sítios e propriedades agrícolas das proximidades, sendo colhida, ralada, prensada para drenagem e transformada em farinha em grandes tachos à lenha, denominados farinheiras. Da farinha proveniente do beneficiamento da mandioca surgem subprodutos como tapioca, biju, rosquinha de polvilho, excelentes acompanhamentos para uma boa conversa com café passado na hora.

 

 

 

 

2. Diversidade da fauna e flora

 

Guaraqueçaba é uma das áreas de maior interesse mundial para a conservação da biodiversidade, e está totalmente inserida em uma Unidade de Conservação (UC) que abrange diversas categorias, conforme observado em Áreas Naturais Protegidas, item 3 desta seção.

 

 

            2.1 Vegetação

Composta por um mosaico de ecossistemas sob influência atlântica, a APA tem como característica principal a transição de ambientes marinhos, com a presença de praias, dunas, formação de restingas, com destaque para os manguezais e as marismas (Formações Pioneiras de Influência Flúvio-marinha). A presença maciça de bromélias e orquídeas em toda região denuncia o domínio da Floresta Atlântica também conhecida como Floresta Ombrófila Densa e suas respectivas sub-formações: Terras Baixas (nas planícies, até 50 metros acima do nível do mar) e Floresta Ombrófila Densa Sub-Montana (entre 50 e 500 metros acima do nível do mar).

 

            2.2 Fauna Rica

A fauna da APA de Guaraqueçaba é rica e relevante, uma vez que abriga uma grande diversidade de espécies de mamíferos, incluindo algumas ameaçadas de extinção no Paraná. Entre os animais registrados estão o mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara), a onça-pintada (Panthera onça), o puma (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis) e os gatos-do-mato. Outros mamíferos como a lontra (Lontra longicaudis), o cateto (Pecari tajacu), o queixada (ayassu pecari), o tapiti (Sylvilagus brasiliensis), a paca (Agouti paca) e o bugio (Alouatta guariba) são comuns na região. O boto-cinza (Sotalia guianensis) é o principal representante da espécie marinha da APA e pode ser facilmente avistado em passeios aquáticos.

Para quem gosta de observação de aves, encontrará na região uma avifauna abundante, onde a grande atração é o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), espécie ameaçada de extinção.

 

 

 

3. Áreas Naturais Protegidas

 

Para controlar a utilização dos recursos naturais, uma importante ferramenta é utilizada visando o ordenamento do uso que prioriza a preservação e conservação de elementos naturais encontrados em determinadas regiões, denominadas também Unidades de Conservação (UC). Uma UC pode ser caracterizada por áreas destinadas à proteção da fauna, flora, microorganismos, corpos d’agua, solo, clima, paisagens e todos os processos ecológicos referentes aos ecossistemas naturais.

A região abrange algumas categorias de Unidades de Conservação com destaque para: Estação Ecológica de Guaraqueçaba, Parque Nacional do Superagui, e diversas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), conforme detalhamento a seguir.

 

            3.1 Parque Nacional do Superagüi

A ilha do Superagüi foi inscrita como Patrimônio Natural e Histórico em 1970 pela Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná, mas reconhecida e tombada somente em 1985, com o posterior estabelecimento de uma série de proibições em relação a atividades potencialmente danosas ao meio ambiente. Para proteger de forma mais eficaz as ilhas do Superagüi e das Peças, foi criada em 1989 a unidade (cujo nome é de origem tupi-guarani e significa "Rainha dos Peixes") e, ao ser ampliada oito anos mais tarde, abrangeu também uma parte do continente – o Vale do Rio dos Patos – e as ilhas do Pinheiro e Pinheirinho. Em 1991, a região foi englobada pela Reserva da Biosfera Vale do Ribeira-Serra da Graciosa, e, em 1998, recebeu o título de “Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade”, concedido pela UNESCO.

Atualmente, o Parque Nacional do Superagüi possui mais de 30 mil hectares e segue a proposta de proteger e preservar amostras dos ecossistemas ali existentes, de forma a assegurar a preservação de seus recursos naturais, proporcionar educação, pesquisa científica e a oportunidade controlada para uso público.

 

 

           3.2 Reservas Naturais da SPVS

A SPVS mantém três reservas naturais de Floresta Atlântica na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, localizadas no litoral Norte do Paraná e viabilizadas a partir dos projetos de ação contra o aquecimento global. Adquiridos em 1999, estes locais começam a ser transformados em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), categoria de unidade de conservação perpétua de propriedades particulares voltadas exclusivamente à proteção de áreas naturais e à diversidade biológica.     

Além de abrigar as ações dos projetos de seqüestro de carbono, as áreas têm a função de proteger porções florestais preservadas, restaurar espaços degradados, bem como realizar pesquisas em prol da conservação da natureza e promover atividades de educação ambiental com a participação de funcionários da SPVS, visitantes e moradores vizinhos. Por se tratarem de localidades com grande beleza natural, ampla infra-estrutura e disponibilidade de informação, as reservas naturais da região possuem alto potencial turístico com ênfase ao ecoturismo.

            A Reserva Natural Morro da Mina, localizada em Antonina, abriga um viveiro de mudas nativas da Floresta Atlântica que abastece as reservas da SPVS nas ações de restauração florestal. Um ponto positivo da reserva é a existência de trilhas como a Trilha da Bandeira – com acesso a um mirante natural – e as trilhas do Pinheiro Lima e da SAMAE – que possibilitam o acesso ao local onde é feita a captação de água do município.

A maior das áreas mantidas pela SPVS, a reserva natural do Cachoeira, também está situada em Antonina e sedia o Centro de Educação Ambiental (CEA), que contém informações sobre as três reservas naturais do Litoral Norte do Paraná. Aberto a visitação, o CEA possui biblioteca, espaço para eventos técnicos e da comunidade, exposição permanente sobre os projetos de seqüestro de carbono e uma trilha de 1,8 mil metros para atividades de educação ambiental.

            Localizada em Guaraqueçaba e com mais de 6 mil hectares, a reserva natural Serra do Itaqui possui belezas naturais como o mangue e cachoeiras, com destaque para a Cachoeira do Rio do Poço, que fica no centro da reserva e possui quedas que, se somadas, alcançam cerca de 90 metros de altura. Outro lugar que vale a pena visitar é a Cachoeira do Rio do Santo, com uma queda de aproximadamente 20 metros. Graças a pesquisas, já foram identificadas no Itaqui mais de 800 espécies de plantas, 235 de aves, 52 de mamíferos, 42 de peixes, 30 de anfíbios e 39 de répteis, além de 22 áreas com presença de vestígios arqueológicos, como sambaquis, ruínas, restos de cerâmica e ossos.

 

 

          3.3 Reserva Natural Salto Morato - Fundação O Boticário de Proteção à Natureza

Este santuário com mais de 2 mil hectares é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. Aberta ao público em 1994, a reserva é mantida pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, que disponibiliza infra-estrutura necessária para receber e informar os visitantes sobre as belezas do local.

Trilhas interpretativas, quiosques, anfiteatro ao ar livre para apresentações especiais, aquário natural para banho, camping, laboratório, loja de souvenir, alojamento para pesquisadores e centro de capacitação, adicionadas a belezas como o Salto Morato e a Figueira do Rio do Engenho, tornam o lugar especial para quem busca descanso, contemplação e contato direto com a natureza.

            Contato: (41) 3482-1506 / (41) 9978-2140

Horário de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 8h30 às 17h30

 

                            

4. Atrativos nos núcleos

 

            4.1 Sede Guaraqueçaba

Repleto de atrativos, Guaraqueçaba detém uma mistura de natureza e cultura como a primeira construção do município, a Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, que foi erguida em 1838 em estilo colonial com grossas paredes de pedra e altar em forma de embarcação, cuja base é um peixe esculpido em madeira, homenagem aos pescadores da região. O Morro do Quitumbê, localizado no perímetro urbano da cidade, possui cerca de 80m de altura e uma trilha sinuosa e de fácil acesso, que possibilita chegar ao topo em aproximadamente 25 minutos. Lá em cima, um mirante natural permite que o turista visualize a baía e a cidade. Outro atrativo muito importante do município é a Reserva Natural Salto do Morato, refúgio para os que procuram descanso, contemplação e contato direto com a natureza.

Pelo lado cultural, Guaraqueçaba apresenta pontos interessantes para o visitante.  A Cooperativa de Artesãos Arte Nossa é a oportunidade de entrar em contato direto com artesãos locais, conhecer sua atividade, trocar experiências e também adquirir peças típicas da região. Outra oportunidade de imersão na cultura local é feita através da prática do fandango. Essa herança cultural sempre esteve vinculada à organização de trabalhos coletivos – mutirões nos roçados, nas colheitas, nas puxadas de rede ou na construção de benfeitorias, onde o organizador oferecia como pagamento aos ajudantes voluntários, um fandango, espécie de baile com comida farta. Atualmente é cada vez mais rara a realização de mutirões, embora estes ainda sejam organizados e hoje essa herança popular é compreendida como uma manifestação cultural popular brasileira, fortemente associada ao modo de vida caiçara, onde dança e música são indissociáveis de um contexto cultural mais amplo. A Associação dos Fandangueiros do Município de Guaraqueçaba foi fundada em 2000 por fandangueiros e jovens do município, com os integrantes do grupo de fandango Família Pereira e do grupo de jovens Mamulengo Fâmulos de Bonifrates.

                                             

 

            4.2 Antonina

            A Reserva Natural Morro da Mina, de propriedade da SPVS, localiza-se no município de Antonina e tem cerca de 3.300 hectares sendo que 1,3 mil já estão registrados como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A área abriga um viveiro de mudas nativas da Floresta Atlântica que abastece outras reservas da SPVS nas ações de restauração florestal e um meliponário demonstrativo (conjunto de caixas racionais para criação de abelhas nativas sem ferrão). Nesta RPPN é possível conhecer alguns trabalhos da SPVS, realizar trilhas e conhecer o trabalho de criação de abelhas nativas sem ferrão desenvolvido pela Acriapa (Associação de Criadores de Abelhas Nativas da APA de Guaraqueçaba). Esta associação é um grupo formado por 25 criadores de abelhas nativas do litoral Norte do Paraná e possuem como principais produtos o mel e a própolis de 4 espécies diferentes de abelhas nativas. No curso da estrada que leva à Guaraqueçaba, próximo ao leito do Rio do Nunes, existem peças de artesanato únicas, como as belíssimas esculturas com temas da mata atlântica, como aves, quatis e pumas, entre outros, feito pelo artesão local Luciano. Outro artesão de destaque é Luizinho que desenvolve diversos produtos artesanais com peças em bambu, fibras naturais e pedra sabão, além de culinária com matéria-prima da região, como tortas de banana, bolos, pães de aipim, doces e salgados diversos.         

             Para os amantes da aventura, Antonina também possui seu destaque. Icatú Rafting é uma empresa familiar especializada no rafting no Rio Cachoeira. O percurso em bote inflável tem duração média de 2 horas e é acompanhado por guias capacitados, o que garante mais conforto e segurança aos visitantes, além do cuidado da equipe em manter todos os equipamentos em perfeito estado de utilização.

 

 

            4.3 Potinga / Tagaçaba

A comunidade de Potinga é conhecida por ser uma comunidade essencialmente de produção agrícola, predominando ainda os descendentes de italianos, alguns turcos e poucos alemães. Exemplo desse processo migratório, Seu Francelino e Dona Mariza chegaram em Guaraqueçaba há cerca de 30 anos. Grande conhecedor da terra, dos poderes medicinais das plantas e de "conversar" com as aves que o visitam diariamente, Francelino também é um produtor adepto da agroecologia, disseminador desta experiência junto a sua comunidade. Durante o passeio é possível apreciar a tradicional farinheira, usada para produzir farinha de mandioca e delícias como cuscuz, tapioca, broinha, doces de banana e tortas. Tagaçaba é hoje a maior comunidade de Guaraqueçaba e lá encontram-se pousadas, restaurantes de boa qualidade e serviços de barqueiros que levam os visitantes para as ilhas saindo pelo Rio Tagaçaba.

 

 

            4.4 Ilhas

Criado em 1989 o Parque Nacional do Superagüi tem uma área de 33.998 ha, abrange quase a totalidade da Ilha do Superagui, e da Ilha das Peças, inclui também uma parte do continente, denominada Vale do Rio dos Patos, e as ilhas do Pinheiro e Pinheirinho, excluídas as comunidades de pescadores. Faz parte do complexo estuarino-lagunar integrado por Cananéia, Iguape e Paranaguá. O maior atrativo é a Praia Deserta, com seus 37 km de extensão (da Barra do Superagüi até a Barra do Ararapira), cerca de 50 m de largura, de areia fina e clara e sem nenhuma infra-estrtura, somente umas poucas casas de pescadores. É uma das poucas no Brasil com características originais e de grande beleza. A pesca artesanal é uma das principais atividades de subsistência da população caiçara, retrato fiel da identidade e cultura local. Há gerações, estas pessoas tiravam do mar o seu alimento e o seu sustento de forma sustentável. A atividade pode ser vivenciada pelos visitantes, com o privilégio de poder degustar o peixe fresco, preparado logo após o retorno do passeio.

Integrada ao Parque Nacional da Ilha do Superagüi, as ilhas de Pinheiro e Pinheirinho formam um importante sítio de ocorrência para o papagaio-de-cara-roxa (ou chauá), que usa o local como dormitório, para se socializar e se proteger, uma vez que as ilhas estão isoladas das demais que integram a área do parque, minimizando as chances de encontro com predadores naturais. O desembarque nas ilhas é terminantemente proibido, mas quem tiver interesse pode contratar barqueiros da região e apreciar o espetáculo proporcionado por estas aves ao nascer ou no pôr-do-sol.

A Ilha das Peças apresenta uma praia deserta com sete quilômetros de extensão, a partir da Vila das Peças, de onde se avista a Ilha do Mel e parte da topografia acidentada da Serra do Mar. Este percurso também dá acesso à Vila do Superagüi, após travessia de barco. A praia possui uma extensa faixa de areia, com ondulações formadas pelo avanço e recuo do mar, caracterizada por vegetação de restinga, sendo possível observar inúmeras espécies da fauna, em especial crustáceos e aves marinhas. A praia é plana, com mar de ondas fracas em sua primeira porção, e sujeita a ondas mais fortes quando se aproxima da Barra do Superagüi. É apropriada para banhos de mar, sendo utilizada para a pesca com rede pelos moradores locais. Não possui infra-estrutura turística.

 

 


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